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Blog do Lentz | |||||||||||||||
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Preto no branco ("Fill in the blanks": rockaço espetacular, que abre o "Y not", do Ringo. Aperta o play e deixe rolando enquanto lê...) Olá! No final da última semana recebi minha cópia em vinil do "Y not", o espetacular novo álbum do Ringo. Eu estava ansioso por esse lançamento, pois, desde que ouvi o CD pela primeira vez, achei que ele tinha jeito de vinil. Entretanto, já faz um bom tempo que os trabalhos do Ringo só saem em CD, de modo que nem alimentei esperança. Para minha surpresa, porém, o LP foi anunciado e peguei o meu assim que pude. "Mas, Guilherme...", alguém dirá. "Você sempre reclama que não sei o que tem o preço alto demais, que está sem grana, etc etc.". É verdade. Mas não para o Ringo. Beatles aqui em casa é um gasto absolutamente prioritário. Não é que eu esteja apostando no revival do vinil, nem que eu ache o formato sofisticado, charmoso, bacana ou qualquer uma dessas bobagens que a gente lê em alguma reportagem uma ou duas vezes por ano. Também não tenho equipamento suficiente para dizer que o som de X ou Y seja magnificamente melhor do que o do outro, apesar de gostar sim da limpidez do CD e do punch do vinil. O fato é que o vinil simplesmente sempre fez parte da minha vida e nunca deixou de fazer. É verdade que, em certo momento, paramos de ter acesso aos LPs e aos toca-discos, e parecia não haver escolha. Além do mais, o CD acabou conquistando seu espaço no meu coração também. Não reclamei quando parei de ver os lançamentos dos Beatles com capa grande, mas, depois que a internet apareceu, e eu consequentemente descobri que em outros países os LPs continuavam a ser produzidos, mantive, na medida do possível, minha coleção atualizada. Os discos serem importados obviamente significou eles custarem mais caro do que um CD, e por isso quase sempre tive que restringir minhas aquisições aos Beatles, mas, considerando a dispobilidade de espaço, de grana, de tempo e tudo mais, isso é mais do que suficiente para manter qualquer um feliz. Então, enquanto escrevo, minha pickup está aqui mandando bala no Ringão:
Coisa linda! Por falar em "never get over you", não adianta: meu negócio é Beatles. O "Y not" continua crescendo como um dos meus discos preferidos do Ringo até hoje. É despretensioso e direto, mas ao mesmo tempo feito com muito carinho e muita criatividade. A linha é a do rock´n´roll mais puro, com baixo, guitarra e bateria, mas há pitadas, colocadas com extremo bom gosto, de música indiana, música eletrônica e até heavy rock dos anos 80. Esse é um bom prenúncio para 2010, o ano 70 do Ringo! Abraços, Guilherme Escrito por Professor Guilherme Lentz às 15h56 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Canções especiais: "Never get over you", de George Harrison (Clique no "play" e deixe rolando enquanto lê. Depois, ouça de novo...) Olá! Engraçado. Na natação de hoje surgiu e ficou na minha cabeça a canção "Never get over you", do George, lançada em seu brilhante álbum póstumo, "Brainwashed". Achei estranho porque essa é a canção mais obscura do disco para mim. Não está entre as minhas preferidas, e, à medida que fui pensando nela, percebi que nunca propriamente parei para ouvi-la, a ela sozinha, com toda atenção. Ela ficou meio esquecida no CD, que é cheio de melodias mais fortes. Mas eu estava nadando, captando, durante as respiradas, aquele movimento de início de manhã, com gente chegando para treinar, barulho da água, sons de clube, e pensando sobre lembranças, pessoas, a escola em que estudei e trabalhei durante muitos anos, e aí bateu esse sentimento de que certas experiências a gente nunca supera totalmente. Foi assim que comecei a pensar nessa canção do George, que fala exatamente sobre isso, sobre a profundidade de sentimentos que a gente nunca abandona por completo; detalhes, sombras, pedaços de outras canções. E "Never get over you" tem essa atmosfera meio melancólica, nostálgica, perfeita para o tema que ela aborda, mas, inteligentemente, sem ter nada de triste, o que dá o toque certo de inventividade e de uma sensibilidade especial. De repente me deu uma saudade do George também. Eu tenho algumas saudades de pessoas e coisas, como diz o John na obra-prima "In my life", mas algumas nunca mais poderão existir e outras nunca mais poderão ter espaço na minha vida. Agora que estou pensando nisso, várias canções excepcionais que tratam desse assunto estão me vindo à lembrança. A insuperabilidade de algumas experiências com certeza é um tema presente e inspirador para muita gente. É assim a letra do George: I know I'll never get over you Abraços, Guilherme
Escrito por Professor Guilherme Lentz às 10h33 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Restituição do imposto de renda Olá! Em 2009 minha restituição do imposto de renda demorou para sair, mas, quando saiu, foi abençoada. Ela me ajudou a zerar um saldinho devedor que eu tinha havia meses e a quitar uma conta bem gorducha que eu tinha com meu querido amigo Ednei, o melhor fazedor de CDs e DVDs aqui de Belo Horizonte, dono de um acervo irresistível. Depois ainda sobrou um tantinho, que usei para encomendar um boneco há muito desejado, que foi trazido dos EUA pela minha heroína Xuxu!
Abraços, Guilherme Escrito por Professor Guilherme Lentz às 22h10 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Meu site dos Beatles! Olá! É com enorme prazer que comunico que meu querido amigo Ednei descobriu um site que salvou diversos endereços do Geocities, inclusive o meu! Ele pode ser visto no seguinte endereço: http://reocities.com/SunsetStrip/studio/1857/index.html Não se permite edição, mas o site está lá! Abraços, Guilherme
Escrito por Professor Guilherme Lentz às 19h39 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Olá! Vou aproveitar que passei em casa para registrar uma ideia sobre "Avatar" e talvez escrever um pequeno texto depois. Li não sei onde que, em "Avatar", o 3D era parte integrante da narrativa. Fiquei com isso na cabeça, até porque não estou muito entusiasmados com esses filmes 3d e achei que nesse ponto em especial o filme não era tão fenomenal. Mas gostei da ideia. Li também, acho que na Veja, que, James Cameron é uma espécie de avatar do público. Achei meio forçada a associação, mas gostei da iniciativa do jornalista de tentar propor uma interpretação inteligente. Finalmente, ando me sentindo muito paralítico ultimamente, por vários motivos. Sendo assim, eu quereria mais como meu avatar o protagonista do filme do que o James Cameron. Aí, pensando nisso, finalmente enxerguei essa obviedade, de o efeito do 3D ser, em tese, comparável ao experimentados pelos personagens do filme quando controlam seus corpos artificiais. Quero guardar essas ideias aqui no blog para o eventual uso em uma resenha. Abraços, Guilherme
Escrito por Professor Guilherme Lentz às 14h02 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Qualidade escolar Olá! Com a volta as aulas, eu estava pensando uma coisa meio óbvia, sobre o fracasso generalizado das escolas na missão de educar seus alunos. Não precisa ser assim, mas a educação é um trabalho muito complexo e que envolve muitas pessoas, dezenas, centenas delas. Cada uma dessas pessoas tem sua própria visão sobre qual deve ser o papel do ensino, quais devem ser as metas a serem atingidas, quais devem as estratégias para que isso aconteça e quais devem ser a políticas adotadas por cada escola. A tendência das pessoas é de acharem que o fracasso da escola se deve àquele problema que as incomoda particularmente. Assim, o diretor lamentará a evasão ou a diminuição da receita; um professor reclamará da interferência dos pais; outro, da pressão feita por coordenadores; um pedagogo se queixará do autoritarismo de alguns; um pai austero, da falta de exigência. Eu, por exemplo, tenho complexo de super-homem e estou certo de ser a resposta para tudo. Em todas as escolas em que já trabalhei, senti que não recebia o devido espaço nem o devido valor, e que as decisões insitucionais era sempre tomadas de modo a favorecer panelinhas e bajuladores. Obviamente, atribuí a isso eventuais fracassos dessas escolas em alguma área. Se pensarmos melhor, porém, vemos com clareza que todos esses alegados motivos do fracasso escolar não são determinantes. Venho sempre trabalhando em escolas de altíssima excelência acadêmica, e quase sempre elas são objeto de queixa dos profissionais, dos alunos e dos pais que participam da comunidade. A panelinha, por exemplo, existe em praticamente todas as instituições, e mesmo assim algumas são de nível indiscutivelmente ótimo. Certas realidades são tão óbvias que temos até vergonha de expressá-las, como essa: o que faz uma escola atingir bons resultados é a sua capacidade em levar o aluno a estudar. Na verdade, pouco importa, para esse objetivo, se há professores perseguidos, se há coordenadores incompetentes, se há direção corrompida, se há boa estrutura física, se há organização da secretaria, se há autoritarismo ou austeridade. A adequação de todos esses fatores naturalmente deveria, a princípio, contribuir para que o aluno estudasse, mas eles não são determinantes. De nada adianta haver um incrível sofisticação intelectual, moral, espiritual, estrutural, se isso não fizer com que os alunos estudem. Há escolas perfeitamente corretas politicamente, mas que não conseguem bos resultados porque não levam o aluno a estudar. Por outro lado, há escolas desprezíveis moralmente, mas que conquistam status de excelência porque levam seu aluno a estudar ou mesmo o obrigam a isso. Esse é um típico dilema, mas sou tendente a achar que a escola que cumpre o seu papel primordial, que é o estudo, faz um serviço maior ao aluno e à sociedade. Essa é uma reflexão de outras faces, que deve ser melhor desenvolvida. De saída, com certa resistência a encarar que os meus incômodos talvez não sejam determinantes, quero defender que quem participa de uma comunidade escolar deve desviar os olhos dos problemas que o afligem diretamente e se concentrar nessa preocupação óbvia e primordial, que é a necessidade de a escola levar o aluno a estudar. E, infelizmente, o aluno brasileiro estuda cada vez menos. Para terminar, uma tirinha da Mafalda que não tem diretamente a ver com essa conversa, mas que vi por aí e achei divertida:
Abraços, Guilherme Escrito por Professor Guilherme Lentz às 10h58 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Vampire Diaries Olá! Uma atividade meio ridícula que estou deixando que me ocupe nessas férias é assistir à série Vampire Diaries, cujos episódios venho baixando. No começo, quando vi as propagandas na Warner, fiquei com preconceito, já que a série, que gira ao redor do amor mal resolvido entre um vampiro adolescente e uma humana, adota um óbvio oportunismo diante do sucesso de Crepúsculo. Mesmo assim, fiquei curioso para saber como a protagonista vinha a tomar conhecimento de que seu namorado era um vampirto, e, assim, comecei a assistir. Devo dizer que a série até me surpreendeu um pouco. Não é antológica nem magnífica, mas garante uma boa diversão. Nos últimos anos, todos os seriados que tive oportunidade de tentar acompanhar se revelaram completamente sem pé nem cabeça ou completamente sem conteúdo nenhum. A impressão que tenho é de que os roteiristas andam completamente perdidos, pulando de galho em galho, atirando para todo lado para ver no que vai dar. Vampire Diaries é despretensioso, mas pelo menos cumpre alguma promessa de ter um enredo e um propósito. É claro que ter parentesco com quebra-cabeças é uma virtude em qualquer narrativa, mas, se algumas peças não se encaixam de vez em quando, somos obrigados a concluir que não estamos diante de uma obra, mas de inúmeros fragmentos aleatórios, que nunca formarão quadro nenhum. Um artista competentíssimo poderia tirar bom proveito disso também, eu sei, mas não é o que vem acontecendo com essas séries, e, nesse contexto, Vampire Diaries acaba tendo a virtude da coesão. Eu acho que há três tipos de seriados: os que têm continuidade, mais ou menos como os capítulos de uma telenovela; os que trazem episódios completamente independentes, que podem ser assistidos fora de sequência; e os que trazem episódios independentes, mas mantêm uma certa linha do tempo. A maior parte dos seriados hoje em dia é do primeiro tipo, mas a continuidade não se concretiza, e é daí que vem minha birra. De Vampire Diaries, já assisti a doze episódios, e percebi que meu interesse, meu envolvimento e minha curtição aumentaram. A série é um bom descansador de cabeça. Abraços, Guilherme
Escrito por Professor Guilherme Lentz às 00h47 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Max Steel e Gorila Extroyer Olá! O Max anda meio sumido aqui do blog, não é? É que há uns meses eu gastei mais de duzentos reais com Max e depois fiquei com a consciência pesada. Por isso, eu me impus o castigo de não brincar com eles nem abrir as caixas, enquanto não tiver terminado de pagar todos os impostos de início de ano, compras parceladas do Natal, etc. Estou com uns dois ou três itens lacrados aqui, mais algumas peças usadas fantásticas, que, por enquanto, estão fora de vista. Mas esse estava atrás de um móvel, e aqueles dois espoletinhas intrometidos tanto fuçaram minhas coisas que conseguiram achar a caixa... Aí não teve jeito! Mas valeu o rompimento do castigo, só para ver as carinhas deles. Meu mais novo adora gorilas, tigres, elefantes e animais africanos em geral. Se pudessem ouvir a vozinha dele gritando "OOOOOOlha, Papapi!!!! O Goriiiila do Max!! EEEEEXXTroy-EEER!", vocês entenderiam perfeitamente o que quero dizer. Ainda bem que o Max tem se mostrado um boneco realmente muito robusto, capaz de aguentar bem o batente de crianças pequenas. Estou ficando mais desligado de liberar para os meninos alguns desses brinquedos mais resistentes, mesmo que eu os veja como itens de coleção. Depois, eles têm que perceber que há compensações em crescer também. Aqui vão as fotos:
2010 promete ser um ano produtivo para o Max Steel. Vamos esperar. Abraços, Guilherme Escrito por Professor Guilherme Lentz às 11h27 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Astro Boy SPOILER SPOILER SPOILER SOBRE O FILME "ASTRO BOY" Olá! Não gostei muito do filme "Astro Boy" e não o recomendo para crianças, principalmente. Para quem não sabe, Astro Boy é personagem de um mangá criado por Osamu Tezuka, em 1952. Trata-se de uma criança robótica, criada por um cientista que perde tragicamente seu filho e tenta, então, substituí-lo por uma versão artificial. Isso obviamente não funciona, e o cientista rejeita Astro Boy, que é então acolhido por outro homem. O filme mantém essa premissa trágica, e isso já o invalida como lazer para crianças. Ao longo da exibição, o público vê a morte do garoto, a criação do robô, a rejeição deste por seu criador, o uso de armas mortíferas, a descoberta de uma sociedade marginalizada pelo progresso, a traição sofrida por Astro Boy por um homem que ele escolhera como pai e assim por diante. Uma criança pequena não está preparada para encarar toda essa enxurrada de emoções de uma só vez. Ao mesmo tempo, todo esse peso psicológico é suavizado, o que também tira um pouco do valor do filme para os adultos. Estão lá presentes vários elementos suavizadores, como os engraçadinhos robôs sucateados ou os robôs limpadores de janela, que tentam balançar a tragédia com um toque de humor, mas o que acontece é uma inconsistência. Talvez se trate de uma tentativa de americanizar a história do personagem principal, mas esse é um projeto questionável, considerando-se que muitas histórias japoneses são usualmente mais melodramáticas do que os hábitos ocidentais de lazer podem permitir. Assim, no esforço para agradar todo mundo, o filme acaba se perdendo tanto como lazer quanto como proporcionador de uma experiência emocional. Pode-se dizer dele, no máximo, que adota um lirismo forçado que tem sido comum nessas animações digitais. Como festa, pode-se dizer no máximo que tem uso de muitas explosões e incrível tecnologia, o que atualmente não chega a ser um valor em si. "Astro boy" deixou a desejar, portanto. Teremos, ao menos, algumas figuras incríveis feitas pela Hot Toys, mas que, infelizmente, estão fora do alcance de quase todo mudo, como Metro City. Abraços, Guilherme
Escrito por Professor Guilherme Lentz às 10h47 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] O campeão de Etérnia Olá! Bem, esse brinquedo merece uma história. Quando conheci meu amigo Daniel Ferreira, com quem eu viria a ter uma banda, o Garrotevil, que seria uma das mais fundamentais experiências da minha vida, nós tínhamos oito, nove anos e nadávamos no Minas, onde éramos colegas. O pai dele ia aos Estados Unidos com frequência, a trabalho, e trazia novidades incríveis, especialmente naqueles tempos em que nem sonhávamos que um dia teríamos internet. Certa vez, o Daniel me falou sobre um "moço forte" que tinha visto nos EUA e que o Papai Noel tinha trazido para ele. Eu fiquei curioso, e uns dias depois ele levou o boneco para a natação, para que eu pudesse vê-lo. Era o He-Man. Eu fique simplesmente ma-lu-co. Acho que nunca desejei tanto um brinquedo. Ele era simplesmente fenomenal. Naquele tempo, não tínhamos o desenho aqui ainda, de modo que aquele foi meu primeiro contato com o personagem. Uns tempos depois, o Daniel levou também o Esqueleto... pronto! Foi aí que enlouqueci de vez. Pelo menos, foi o que achei, porque depois fui à casa do Daniel e, quando descobri que ele tinha uns trinta bonecos da coleção, praticamente entrei em choque. Acho que nunca tive tanta inveja de alguém. Os bonecos eram deslumbrantes, e eu nunca me cansei de brincar com eles, mesmo depois de incontáveis finais de semana de brincadeiras. Naquele tempo, conseguir um boneco importado era quase impossível, mas uma alternativa aceitável passou perto das minhas mãos. Passeando no shopping um dia, vi enfileiradas na vitrine de uma loja de brinquedos versões pirateadas em resina dos bonecos... uau... quando me lembro, ainda tenho uma descarga de adrenalina. O preço era absurdo, mas meu pai, vendo meu estado, sugeriu, para minha total incredulidade, que eu ganhasse um naquela hora mesmo. Vai lendo. Aquilo parecia bom demais para ser verdade, mas eu é que não ia questionar. Quando estávamos na fila para o caixa, porém, veio uma mocinha tirar a nota para fazermos o pagamento, e foi aí que meu pai se deu conta de quanto o boneco custava. Era mesmo bom demais para ser verdade; eu nem fiquei decepcionado, juro, de tão absurda que era aquela situação. Demos meia volta e saímos sem o boneco. Ainda não era seria daquela vez. Três milagres, porém, aconteceram. Em primeiro lugar, veio o Natal. Meu pai é muito amigo do Papai Noel e adora uma surpresa. Ele tem prejuízo, mas não perde a surpresa. Quem adivinha o que o Papai Noel deixou para mim naquela manhã? Isso mesmo! O He-Man pirata em resina! Vocês não podem imaginar minha felicidade em ter aquele boneco nas mãos. Durante muito tempo ele foi presença constante em todas as minhas brincadeiras. Ainda o conservo na caixa original. Obrigado, Papai Noel! Depois, veio um encartado com ofertas da Mesbla, e, entre outras gracinhas, eles anunciavam chaveiros de borracha que novamente eram modelados a partir dos bonecos, apenas em escala um pouco menor. Corri para a loja, mas não achei mais os chaveiros, apenas um do Esqueleto, que comprei imediatamente. Ainda o tenho também! Não eram perfeitos, mas pelo menos eu tinha um He-Man e um Esqueleto para brincar! Mas um dos maiores atos de generosidade que já tive o privilégio de merecer veio do meu querido amigo Daniel. Um dia, sem nenhum motivo especial, ele se virou para mim e disse: "Guilherme, você quer os bonecos do He-Man emprestados?". Pausa para eu segurar meu queixo, que foi ao chão. "O-o-o-o-o- q-q-q-quê? Q-q-q-q-quais b-b-b-o-n-n-n-e-ne-cos?", eu perguntei. "Todos", ele disse, "Pode ficar pelo tempo que você quiser". E foi assim que levei para casa um sacola enorme repleta de bonecos do He-Man. Nunca me esquecerei, Daniel! Obrigado! Passei meses brincando com meus heróis, até finalmente sentir que já estava abusando e que eles deveriam voltar para o seu dono. Foi magnífico. Pouco tempo depois, a Globo começou a passar os desenhos do He-Man, e continuei com o interesse. Meu último contato na infância com o He-Man foi uma reportagem da Veja, salvo engano, sobre brinquedos a serem lançados. A página trazia uma foto do He-Man, promessa da Estrela para dali a uns dois ou três anos. Lembro-me de lamentar a notícia, certo de que, quando os bonecos finalmente existissem aqui, eu já seria grande demais para brincar com eles. Passaram-se uns dois anos, eu estava no início da adolescência, e os bonecos realmente apareceram. Como esperado, eu já era grande para eles. Muitas vezes diminuí o passo em frente às lojas de brinquedos, para poder vê-los, mas, naquela idade, sofrendo censura de vários lados, não tive a coragem de efetivamente entrar e comprar um para mim. Por isso, levei esse pequena frustração por mais uns dez anos. Assim que me tornei professor, lecionava para meninos de 14, 15 anos, e imaginei que eles deveriam ter pego em cheio os lançamentos da Estrela. Após algumas conversas de final de aula, descobri um garoto disposto a se desfazaser de algumas velharias, e foi assim que, finalmente, adquiri meus primeiros bonecos oficiais: o He-Man, o Esqueleto, o Mentor e o Gato Guerreiro! Depois, com a internet, é claro que tudo ficou mais fácil, e hoje tenho mais uns três ou quatro bonecos. E isso tudo é apenas parte da história. Foi assim que, sem que eu nunca o tivesse de fato, o He-Man foi um dos brinquedos mais presentes em minha infância, conquistando um lugar indiscutível em minha afeição. Quando a Mattel anunciou que o relançaria com uma abordagem mais moderna, eu imediatamente cresci o olho, e aqui está o fortão mais legal que já apareceu por aí:
Abraços, Guilherme Escrito por Professor Guilherme Lentz às 19h57 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Canções especiais: "Broken down cowboy", de John Fogerty (Clique no "play" e deixe rolando enquanto lê...)
Olá! Um dos meus álbuns preferidos dos últimos anos foi "Revival", do John Fogerty, lançado em 2007. Todo o álbum é excepcional, rock vintage de primeiríssima qualidade, com aquelas guitarras poderosas eos vocais arrasadores, que são a marca do John Fogerty, e, claro, aquelas composições inspiradas, que mesclam rock´n´roll, rouquidão melodiosa e uma pitadinha de melancolia, só para dar aquele clima de fim de tarde. Gosto demais dessa mistura. O John Fogerty é um desses artistas que envelheceu dignamente, mantendo um padrão honesto de qualidade. Seus trabalhos quase sempre são despretensios e cheios de vida, de energia. "Broken down cowboy" é a síntese perfeita dessa proposta. É engraçado que, apesar da atmosfera melancólica e da letra tristonha, ela tem um efeito muito reconfortante sobre mim. É o tipo da canção que gosto de ouvir no final de um dia muito cansativo ou quando estou triste com algum pepino do trabalho, e aí me sinto consolado: If I was a gamblin' man Lindo! Abraços, Guilherme
Escrito por Professor Guilherme Lentz às 11h48 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Moda: roupa de homem no lazer Olá! Paradoxalmente, uma consequência de ser heterossexual e ser casado com uma mulher foi o desenvolvimento de um certo interesse por moda. Trata-se de um interesse um pouco hostil, é verdade. Tenho ojeriza ao mundo da moda. Com exceção de alguns raríssimos gatos pingados talentosos e inteligentes, acho que é tudo uma farsa enorme, uma encenação preparada para que muitas pessoas fúteis fiquem mutamente lambendo as próprias costas e assim alimentem o próprio narcisismo. Quase todas as manifestações referentes a moda com que tenho contato não passam de ocasiões usadas por oportunistas sem talento para tentarem se promover, e a maior parte deles nem se dá ao trabalho de desenvolver algum tipo de conceito, de intuição, de reflexão, de qualquer preocupação que pudesse legitimar a moda como uma forma de arte. Muitas vezes fico horrorizado com as modelos e sempre perplexo com o endeusamento de que elas são objeto, meninas vítimas da neurose de algumas pessoas e que muitas vezes nem são bonitas nem têm mérito algum a não se o de terem sido protegidas por algum figurão agenciador com que elas tenham tido o acaso de topar. Não tolero também a arrogância de certas figurinhas que vemos na televisão de vez em quando e que se escondem sob a máscara de um falso profissionalismo para exercitarem seu prazer sádico de humilhar as pessoas; bando de inúteis, que nunca fizeram bem nenhum à sociedade e se julgam em posição de assediar as pessoas. Eu lamento tudo isso. Há exceções gloriosas na história da moda, e ainda acho que este é um assunto que mereceria a abordagem por parte de intelectuais preparados para desvendar seus méritos. Fico na esperança de editores de revistas e jornais, produtores de TV e organizadores de eventos descobrirem isso. Mas eu queria falar é de uma questão prática. Agora, no versão, fico vendo as moças transadinhas nas ruas, com vários tipos de roupinhas elegantes, bonitinhas e tal. Isso me faz pensar na injustiça de que os homens são vítima, nesse caso, pois praticamente a única opção de vestimenta de lazer que sobra a nós é o tenebroso uniforme de bermuda e camiseta. Apesar de no geral me considerar um sujeito desprovido de vaidade e de ter um certo desprezo até por essa preocupação, uma partezinha de mim fica incomodada com essa combinação de vestuário e com a falta de opções. Normalmente, defendo que a masculinidade traz intrinsecamente um certo direito à tosqueira, mas fico meio perturbado por me enquadrar no mesmo padrão adotado por centenas de mamutes trogloditas que vejo nas ruas. Enfim, companheiros homens, será que esse problema tem solução? Ou nem será ele merecedor de análise? Propor alternativas dignas para isso seria uma boa ocupação para os estilistas. Abraços, Guilherme
Escrito por Professor Guilherme Lentz às 14h04 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Entre os muros da escola Olá! Como parte da preparação psicológica para o final das férias, finalmente assisti ontem ao filme "Entre les murs", do diretor Laurent Cantet, e fiquei bem impressionado, apesar de conhecer bem de perto realidades semelhantes à mostrada no filme.
Para quem não acompanhou, essa obra semificcional mostra o cotidiano das aulas de François Bégaudeau e seus alunos, todos interpretados pelos próprios, em uma escola pública francesa. Tanto a turma quanto o grupo de professores são muito heterogêneos, e o filme mostra as inúmeras situações que decorrem desse fato: contradições, incoerências, hostilidades, choques de ego, frustrações. François, por exemplo, manifesta um tanto demagogicamente alguns lapsos de idealismo, mas seu próprio despreparo e suas próprias limitações para lidar com um conjunto tão complexo de fatores pode-se dizer que põem tudo a perder. Por exemplo, ele tenta bancar o aberto a opiniões, o incitador de debates, mas, quando as armas são engatilhadas, apela para o "eu posso agredir porque sou professor, e vocês têm que aguentar calados". Os demais professores mostram-se frágeis, armados, presos a sua prepotência. Os alunos, por sua vez, parecem absolutamente desamparados, por um lado, e indomáveis, absurdamente agressivos, por outro. Esse é um retrato da escola bem diferente do geralmente mostrado nos filmes americanos, que criam esterótipos como o do professor-herói, o do professor-vilão, do aluno bonitão, do aluno nerd e assim por diante. Os infindáveis conflitos mostrados durante as duas horas oferecem um retrato cruel, mas infelizmente legítimo, dos perigos que a falta de perspectiva em diversos ingredientes coloca, no século XXI, para a educação. Mostram-se, portanto, os diversos muros que separam a escola do mundo real, e as pessoas dentro da escola umas das outras. Principalmente, esses muros separam também, ou pelo menos distanciam, a escola do próprio ideal de educação. Eu trabalho em uma escola bem diferente da mostrada no filme. Em que pese estar, como toda boa escola, sob a ameaça sim de algumas contingências da educação brasileira e ter obviamente seus problemas, ela não perdeu seus ideais nem seus méritos. Nunca pouparei esforços para que continue assim. Há, porém, em Belo Horizonte, diversas escolas voltadas para o que se poderia chamar, no senso comum, de maus alunos. Já trabalhei em várias delas, e o ambiente que encontramos nelas é muito semelhante ao mostrado em "Entre les murs": alunos hostis, perdidos, despreparados, ineducados; professores arrogantes, omissos, prepotentes, pedantes, cheios de si, falsamente carinhosos, desmotivados; diretores empavesados, alienados de suas próprias escolas, com intenções insondáveis; pais ambíguos, interesseiros, ausentes, armados. Nesse ambiente em que ninguém é inocente e ao mesmo tempo cada um tem suas razões, é claro que os estudantes são as maiores vítimas. O fato é que a educação existe para eles, e os adultos responsáveis por esse processo estão completamente perdidos e em desacordo entre si. Vale a pena assitir a esse filme e ingressar no debate sobre as questões levantadas. A causa da educação interessa a toda a sociedade, e todos estão em posição de oferecer contribuições. Abraços, Guilherme Escrito por Professor Guilherme Lentz às 10h26 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Caixa do Condor: tesouro perdido Olá! Estou neste instante perdendo uma oportunidade que esperei desde a infância: a de adquirir uma caixa do boneco Condor, o amigo biônico do Falcon. A oferta aparecer e até me dispus a comprar quando viesse o pagamento depois das férias, mas o vendedor preferiu colocá-la em leilão no MercadoLivre, e infelizmente, no momento, não deu para mim. Vejam que beleza:
Infelizmente, neste início de ano, vou perder uma outra oportunidade de incrementar minha coleção de Falcon, tendo que deixar passar um outro modelo que está na lista há quase trinta anos, mas desse, em todo caso, eu tenho partes:
Bem, acho que não se pode ter tudo mesmo. Depois do batmóvel, não vou ter a cara de pau de reclamar. De qualquer forma, esses são dois itens magníficos. Prefiro eles a um Hot Toys, sem pensar duas vezes. Abraços, Guilherme Escrito por Professor Guilherme Lentz às 09h50 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Mais batmóvel Hot Toys Olá! Complementando o post de ontem:
Escrito por Professor Guilherme Lentz às 17h38 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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