Blog do Lentz  
 



BRASIL, Sudeste, BELO HORIZONTE, Homem, Música, Arte e cultura, Brinquedos
border=0
 
   Arquivos

 
border=0
Outros sites

 UOL
 UOL SITES
 Portal do Lentz


Votação
Dê uma nota para meu blog



border=0
 


A volta do herói

Olá!

Nessa semana finalmente consegui repor um dos dois exemplares de Max Steel que me foram roubados no assalto de 22 de junho de 2007 aqui em casa. O outro ainda vai aparecer. Mas esse que consegui é mesmo especial.

Em primeiro lugar, ele só vinha com um carrinho muito legal, que se transforma em avião e que já apareceu em minha fotoestória "A fotografia". Esse kit, um dos mais legais de todos os tempos da coleção do Max, sumiu das lojas. Em segundo lugar, tratava-se de um modelo muito bonito, com uma escultura de torso que nunca vi em outro modelo e uma pintura absolutamente espetacular, acima do padrão de qualquer outro item da coleção. Eu fiquei muito chateado por tê-lo perdido e desde aquele dia venho procurando uma oportunidade de encontrar um boneco igual.

Finalmente aconteceu:

Acabei tendo que comprar junto uma duplicata do carrinho que eu já tinha, mas acho que valeu a pena, porque tive aquele gosto de triunfo sobre o ladrão e pude reincorporar esse item especial à coleção, que ilustra bem como o padrão de qualidade da Mattel caiu muito em pouco tempo. Comparado com os mais recentes kits de boneco com veículo, esse do carro-avião fica ainda mais espetacular.

Minha agenda até 11 de dezembro está absolutamente congestionada, mas quero antes do final do ano criar alguma fotoaventura com esse boneco, nem que algo pequeno, com poucos quadros.

Abraços,

Guilherme



Escrito por Professor Guilherme Lentz às 20h25
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]






Powermax Snake Eyes

Olá!

Parece que todas as vezes na vida em celebrei a chegada de um novo amigo cometo alguma ofensa capital, e a pessoa nunca mais fala comigo. Incrível. Parece que é só eu falar algo do tipo "Puxa, cara, que legal! Como fiquei feliz em conhecer você! Estou me sentindo realmente privilegiado que a gente tenha feito contato! Você é especial por tal e tal motivo", que eu imediatamente aciono algum tipo de alerta. Sei lá. Sei lá o que é. Não preciso dizer o quanto isso me aborrece. Muitas vezes penso "Pô... se eu pudesse voltar e não falar que eu tinha ficado feliz com a amizade...". Enfim, coisas da vida.

Mas o que posso fazer? Como não comentar uma coisa legal como a que vou contar?

Imaginem que recentemente, numa dessas andanças de internet que nem sei mais como foi, conheci um camarada que simplesmente é fã de Max Steel! Como eu, ele curte mesmo a coisa. Procura, analisa os modelos, cuida do negócio. Qual é a chance de isso acontecer? Como não celebrar esse interesse comum?

Ele veio com uma conversa muito boa. Queria criar um Snake Eyes, um personagem que adoro e que já exibi aqui no blog em várias versões. Mas ele queria fazer um Snake Eyes a partir de um Max Steel e usando apenas peças de Max Steel. Vejam que projeto mais simpático. Conversamos algumas vezes sobre a ideia, e agora ele apareceu com o boneco pronto, um verdadeiro show de bola. Vou tomar a liberdade de exibi-lo aqui:

Show, não pe?

Então, Ricardo, me perdoa a gafe, mas realmente foi um prazer conhecer você!

Abraços,

Guilherme



Escrito por Professor Guilherme Lentz às 14h54
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]






Mosqueteiro galático

Olá!

Acho que quem me conhece de perto sabe que até o momento só apareceu uma força no mundo capaz de me manter tão afastado do meu blog, dos meus hobbies, dos meus interesses: carga brutal de trabalho. Paradoxalmente, é justamente nesses períodos de mais aperto que a gente mais precisa do lazer, e ele não pode existir. O trabalho é claro que é uma realização tremenda, mas isso não significa que não devamos tomar cuidado. Aliás, essa realização que ele é e que ele proporciona é justamente um dos motivos pelos quais temos que nos obrigar a limpar a cabeça de vez em quando.

Lembro uma historinha em que o Super-Homem passa semanas sem dormir, já que nunca se cansa, tentando desvendar os crimes de um misterioso assaltante e, no final, o assaltante era ele mesmo. Seu subconsciente havia se rebelado contra a falta de repouso e passara a agir contra o herói para que sua face oficial pudesse, de alguma forma, descansar. Quando nos negamos o repouso, ou ele nos é negado, em algum momento boicotamos nosso próprio trabalho, agindo como um vilão de nós mesmos. Venho percebendo esses efeitos em mim, na forma de uma certa irritação, impaciência e, nos piores dias, até um pouco de preguiça de entrar na sala de aula, sensação que, normalmente, não existe para mim.

É por isso que resolvi a qualquer custa fotografar um de meus bonecos mais novos, mesmo com vinte pacotes de prova me olhando lá em cima da mesa. Esse Luke Skywalker da Sideshow é um boneco que eu olho há tempos, mas nunca havia cogitado mesmo comprá-lo, até que surgiu uma ótima oportunidade, que eu não quis perder. Gosto demais do Luke, um herói cheio de carga emocional, sob cuja inspiração eu cresci. A história dele é praticamente uma reprodução da do D´Artagnan, dos três mosqueteiros, que também admiro desde a infância. Vamos ao boneco, então:

Abraços,

Guilherme



Escrito por Professor Guilherme Lentz às 17h53
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]






Mestre Yoda

Olá!

Vou pagar caro pela travessura quando a madrugada chegar, mas resolvi me dar um recreio - afinal, terça-feira, em tese, é meu dia de folga - para montar as fotos do meu Mestre Yoda, um boneco maravilhoso que me surpreendeu após um grande atraso na entrega, a ponto de eu o dar por perdido.

Estou com uns bonecos muito legais de Star Wars, que preciso mostrar mais no blog, pois sempre fui um grande fã dos filmes, apesar da nova trilogia. A saga do Luke Skywalker faz muito parte da minha vida, e agora estou com esse personagem sensacional.

Bom, não vou abusar. De volta ao trabalho.

Abraços,

Guilherme



Escrito por Professor Guilherme Lentz às 20h08
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]






Aviãozinho

(clique no botão de "play" e deixe rolando enquanto lê...)

Olá!

Uma das generosidades mais simpáticas que meu pai fez na vida foi liberar uma conta na banca de revista que havia em frente ao clube, quando éramos crianças. A D.Aparecida, que cuidava da banca, atendia todos os nossos pedidos diante do mágico "anota aí". Graças a isso, durante toda a minha infância tive contato com muitas revistas em quadrinhos, fascículos das mais incríveis coleções e também alguns brinquedinhos que ela tinha por lá, alguns dos quais foram mesmo muito marcantes.

Um que eu adorava era uma coleção de aviõezinhos da plástico. Tive dezenas deles, que eu guardava em um saquinho de pano, que desapareceu misteriosamente, com os anos. Para minha feliz surpresa, no entanto, alguns modelos daqueles aviões reapareceram recentemente, na forma de brindes para festas infantis, que minha esposa descolou em algum canto, para distribuirmos a quem nos dá o prazer de compartilhar conosco a festinhas dos nossos meninos.

Vejam que legal:

Eu sempre adorei aviões de brinquedo. Um dos meus brinquedos mais sonhados da vida, um avião de Playmobil que consegui como um verdadeiro troféu, exibi aqui no blog em uma das minhas postagens preferidas (ver http://guilhermelentz.blog.uol.com.br/arch2007-03-04_2007-03-10.html). Outros fui incorporando à coleção ao longo dos anos. Isso já me rendeu até aventuras no mundo real, como o passeio de jatinho para o qual fui convidado pelo meu querido amigo Marcão. Esse foi um voo de gente grande, mas acho que o avião é um símbolo de infância muito poderoso na cabeça de muitos garotos.

Tem que fazer o coração voar.

Abraços,

Guilherme



Escrito por Professor Guilherme Lentz às 22h38
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]






Chegada do batmóvel

Oi!

Não posso deixar de registrar a chegada do batmóvel da Hot Toys, o brinquedo mais comentado aqui em casa nos últimos dois anos.

Enquanto não acho a hora de documentá-lo como ele merece, ficam aqui umas fotos meio improvisadas, só para marcar o dia.

Bat-abraços,

Guilherme



Escrito por Professor Guilherme Lentz às 00h47
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]






Vale ouvir

(Este post tem que ter música. Clique no play e deixe rolando, enquanto lê...)

Olá!

1989 foi o grande ano da minha adolescência. Conheci os Beatles - não precisa falar mais nada. A banda, o Garrotevil, estava no auge. Meus amigos eram o máximo. Estávamos todos investigando principalmente novos estilos musicais. Aqueles eram dias muito empolgantes mesmo. Só namorada é que estava difícil... Mas, enfim, e gente tem que pagar algum preço para ser intelectual. De todo jeito, o quente mesmo era a música.

O Garrotevil estava num processo de descobertas musicais e, como parte desse processo, esbocei um pequeno interesse por música espanohla, que não chegou a se desenvolver muito. Mas foi o bastante para uma empolgante aventura musical com o grupo Santa Esmeralda e seu hit "Don´t let me be misunderstood".

Estávamos numa daquels granfinérrimas festas de quinze anos, e eu, como sempre, perambulava para cá e para lá, totalmente deslocado naquele ambiente. Para não ser injusto com minha exuberância adolescente, vou contar que uma colega tenebrosa que eu tinha resolveu inaugurar a carreira de alcóolatra naquela noite. e o resultado da bebedeira foi uma estranha fixação por mim, que durou várias semanas ainda. Hoje em dia acho o caso meio cômico, mas, na época, fiquei morrendo de medo, e ainda fui vítima da gozação dos colegas. Ah, a juventude...

Enfim. Estava eu perambulando pela festa, quando a mais incrível canção que eu já tinha ouvido - sem contar os Beatles - começou a tocar nas caixas. Assim que as castanholas começaram, eu senti uma fincada na espinha, e, do primeiro acorde de violão em diante, eu fiquei absolutamente paralisado. A canção era linda e cheia de energia, exuberante. Quando consegui recobrar os movimentos, comecei a parar as pessoas pelo salão, perguntando se alguém conhecia aquela canção - esse é mesmo o tipo de atitude que só adolescente toma. Mas ninguém sabia do que se tratava, e eu até hoje fico estupefato com a indiferença das pessoas diante das bençãos mais lindas que florescem ao redor delas. A canção ia chegando ao fim, e nada de alguém conhecê-la. Achei que a perderia para sempre.

Foi então que meu querido amigo Rodrigo Belisário, como sempre, apareceu como um messias do meio da multidão, eufórico, até meio suado: "Guilherme, Guilherme! Ainda bem que te achei! É essa música, é essa música que eu queria que você ouvisse!". Foi então que eu soube: ela se chamada "Don´t let me be misunderstood", e era interpretada por um misterioso grupo dos anos 70, o Santa Esmeralda.

Iniciou-se uma longa busca. As coisas eram diferentes naquele tempo. Nada de internet, de download, de peer-to-peer. Quem quisesse uma canção tinha que cavá-la. E aquele LP não existia mais. Fazia muito tempo estava fora de catálogo. Ninguém tinha. Tentei de tudo. Fui a todos os sebos, liguei para parentes, pedi favores, mas nada. A canção não existia mais.

Mas a vida tem suas surpresas. Alguém me disse, recentemente, que o bom de não acharmos o que procuramos é acharmos o que não procuramos. Minha  busca por "Don´t let me be misundestood" me levou a uma linda loja de discos que havia no BH Shopping, o museu do disco. Lembro-me que minha mãe me levou lá, e eu muito timidamente disse ao vendedor que estava procurando meu pequeno santo graal. "Santa Esmeralda? Tem certeza?", ele perguntou. "Eu tenho aqui essa música com outra banda.", e me sacou um LP de uns caras que eu, na minha inocência dos 14 anos, não conhecia: Eric Burdon, with The Animals & War. E pôs para eu ouvir. Até hoje vejo a agulha tocando o vinil, na minha frente, quando penso nisso.

Já aconteceu de você se apaixonar duas vezes pela mesma pessoa? Espero que sim. Pois a "Don´t let me be misunderstood" que estava naquele LP era, se é possível, ainda mais fenomenal do que a que eu ouvira na festa. Com o toque que nos anos seguintes eu viria a conhecer tão intimimamente como o toque do blues, Eric Burdon levava a banda por uma performance devastadora da canção. Eu fiquei de queixo caído.

A mamãe, é claro, não resistiu, e bancou o presente, que está na minha coleção até hoje. Depois me levou para lanchar no McDonalds. Eu me lembro sempre desse dia, além da música, porque ela falou "Nâo sei quando nem se vou ter outra oportunidade na vida de lanchar com você no McDonald´s", e, de fato, até hoje nunca mais repetimos o programa. Mas precisamos, heim, mamãe! Numa versão mais light, é claro, para não atrapalhar sua pressão!  E sem Eric Burdon, porque esse vai fazer seu coração bater mais rápido do que hélice de helicóptero.

A versão do Santa Esmeralda, é claro, eu acabei encontrando também, através do Daniel, um colega do colégio que localizou a joia no meio dos discos velhos do pai. Depois fui aprendendo que o Santa Esmeralda era especializado em versões discoteca de clássicos do rock. Sei que a reputação da discoteca é polêmica, mas temos que admitir que aquele pessoal tocava uma guitarra, uma bateria, um baixo de parar a respiração. Às vezes fico me perguntando onde tanto músico fenomenal foi parar.

Curiosamente, acabei descobrindo, muitos anos depois, que a versão do Eric Burdon também não era a original, mas uma visita ao clássico que ele mesmo gravara nos anos 60. Mas a gravação daquele LP continuou, para mim, sendo o registro definitivo e insuperável dessa linda obra, que é "Don´t let me be misunderstood". Hoje, graças à internet, descobri que meu velho vinil trazia apenas uma prensagem editada dessa obra-prima, que agora tenho na íntegra.

Então aumenta o volume, prende a respiração e aperta o play, que aqui está Eric Burdon, com "Don´t let me be misunderstood":

 

Um abraço,

Guilherme

 

P.S.: 18:14

Chegou hoje um pacotão que eu esperava fazia tempo! Esse vai exigir mais respeito pela minha coleção! Aguardem fotos do conteúdo!



Escrito por Professor Guilherme Lentz às 13h43
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]






(Clique no "play" e deixe rolando enquanto lê...)

Olá!

Escolhi a recém-remasterizada mixagem mono de "Drive my car" para acompanhar este post sobre um presente muito simpático que ganhei ontem.

Vejam que legal esse carrinho que meu querido aluno Pedro trouxe dos EUA para mim, retratando um táxi de Nova York:

Fiquei muito feliz com essa singela gentileza, que tem faltado muito no mundo. Valeu, Pedrão!

Abraços,

Guilherme



Escrito por Professor Guilherme Lentz às 12h32
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]






Último e primeiro

Olá!

Encerramento de etapa lá no colégio. Passei vários dias dormindo meia noite. Veja: não estou falando de meia-noite, mas de meia noite. Esse hifenzinho faz uma diferença...

Mas agora digitei as notas todas, vi todos os cadernos, provas de segunda chamada, pedidos de revisão de questões em provas antigas, provas finais. Até a recuperação, tenho aula extra até depois das nove da noite e outras aventuras, mas sem a avalanche de provas, posso viver alguns dias como uma pessoal normal. Depois recomeça.

Resolvi dar a respirada fotografando um boneco muito legal que comprei já há uns dois ou três meses, mas que ainda não tinha podido documentar. É o Iron Man Mark 1 da Hot Toys, um item que me despertou muito a curiosidade:

Esse boneco fecha um ciclo na minha coleção. A partir de meados do ano passado, quando resolvi comprar alguns bonecos chiques para ver como eram e verificar se valiem tudo que é pedido por eles, fiz uma listinha dos itens que incorporaria em minha coleção: da Hot Toys, o Superman, a Cassandra, os três Homens de Ferro e o batmóvel; da Sideshow, o Snake Eyes; da DC Direct, o Lanterna Verde; da Enterbay, o Jack Bauer; da Takara, o Batman. É claro que acabei comprando alguns a mais do que o previsto, abusado, entusiasmado e um pouco irresponsável que sou. Mas todo mundo sabe que meu negócio é Falcon, Max Steel e brinquedos de verdade. Daqui para frente, não pretendo adquirir itens nessa linha da Hot Toys regularmente.

Infelizmente, isso acontece em um momento em que os bonecos que são assumidamente brinquedos estão em crise. O Max Steel piora de qualidade a cada nova linha, perdendo articulações e roupas de tecido em favor de peças esculpidas, além de ganhar pinturas cada vez piores e preços cada vez mais altos. O Falcon aparece em preços cada vez maiores, e os itens que não tenho atingem valores fora do que estou disposto a pagar. O Power Team, além de aparecer de forma muito irregular nas Americanas, está subindo muito de preço também. Outros bonecos lançados esporadicamente são vendidos por valores ridículos, acima dos R$100.

Talvez seja o momento mesmo de dar uma parada ou, pelo menos, assumir uma postura bem mais seletiva, retocando itens que já fazem parte do acervo e finalizando alguns projetos que estão interrompidos, como o Han Solo no carbonite. Mas gosto muito de lidar com os bonecos. Eles me fazem muito boa companhia. Gostaria que esse fosse um hobby um pouco mais em conta.

Adquirir esses Hot Toys do último ano exigiu muito do orçamento por aqui. Agora é bom respirar um pouco.

Abraços,

Guilherme

 



Escrito por Professor Guilherme Lentz às 11h41
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]






20 de setembro de 2009

(Clique no play e deixe rolar enquanto lê...) 

("Great balls of fire", em Belo Horizonte, gravada por mim)

Olá!

Vou contar uma história com final feliz.

Eu tenho heróis vivos, e esse ano tive o privilégio de ver alguns deles de perto. O mais recente é o mais polêmico: o Killer - Jerry Lee Lewis! Criador de alguns dos mais fenomenais momentos da história do rock´n´roll, ele tem um estilo vocal único e toca um piano muito selvagem e irresistível. Com mais de setenta anos de idade, continua arrasador e lançou recentemente o que vem sendo considerado o melhor álbum de sua carreira, "The last man standing", um trabalho de fato excepcional.

Ele sempre foi uma figura polêmica. Nos anos 50, iniciou brilhantemente sua carreira e lançou uma série de gravações de muito sucesso. Seu caminho ao estrelato, porém, foi interrompido quando ele se casou com sua prima de 13 anos, conquistando a reprovação geral e jogando sua carreira no lixo. Jerry Lee, um teimoso, nunca deu o braço a torcer. Orgulhoso, arrogante e valentão, continuou sua carreira aos trancos e barrancos, tocando em lugares menores e lançando discos ao vivo de qualidade variável. Essa conduta errática cobrou seu preço do ego do grande pianista do rock´n´roll, que sempre bebeu muito e se meteu em algumas confusões menores. Entre alguns saltos e muitas quedas, porém, Jerry Lee continuou na ativa e foi escrevendo seu nome na história.

Meu primeiro contato com ele, é claro, foi através dos Beatles, para quem Jerry Lee Lewis foi uma grande inspiração, principalmente o John. Depois, como muitas pessoas, conheci um pouco da vida dele através do filme "A fera do Rock" ("Great balls of fire"), em que foi interpretado por Denins Squaid, um dos meus atores preferidos. Sempre fui fascinado com o fato de que o Jerry Lee havia regravado suas canções, em pleníssima forma por volta dos cinquenta anos - o que me parecia muito, na época -, para o filme. A cena final é um desses momentos que estão cravados no meu coração. Jerry Lee entra com sua esposa adolescente em uma igreja onde seu primo pastor está pregando um sermão contra a música do diabo. Ele vira expulsa o Jerry Lee da igreja e diz "Você vai para o inferno!", ao que o topetudo protagonista responde: "Posso ir para o inferno, mas eu vou tocando o meu piano".

Numa outra cena real e antológica, o veterano Chuck Berry se recusa a abrir o show para o novato Jerry Lee Lewis, que, galantemente, aceita ser a atração inicial. Quando entra no palco, porém, enlouquece. Pula, dança, sobre ao piano, toca e canta freneticamente, encerrando a apresentação com um gesto que marcaria toda a sua carreira: toca fogo no piano e termina o show com o instrumento em chamas, enquanto ele manda ver no teclado. Inesquecível! O público vai à loucura, e Jerry Lee, ao sair do palco, cruza com um atônito Chuck Berry e diz: "Pode ir fazer o seu show. O público é todo seu".

No final do filme, aparecia um texto que contava os caminhos tortuosos da carreira do cantor, mas encerrava assim: "Jerry Lee Lewis ainda está em algum lugar da América, tocando pelo coração." Essa frase resume meu ideal como músico. Se um dia eu sumir também, saberão me procurar através dela.

Por tudo isso, eu sempre adorei o Jerry Lee Lewis. Quando eu o conheci, era adolescente e estava eu mesmo de olho nas meninas de treze anos. Nunca tinha ouvido falar de pedofilia e não conseguia entender por que tanta polêmica ao redor do casamento dele com a prima. Agora, adulto, entendo, é claro, mas sei que essa questão era muito diferente nos anos 50, tanto que o casamento se realizou, por absurdo que possa parecer, de acordo com a lei da época. Pesando tudo, esse é para mim, um erro menor, no caso dele. Fora isso, ele não tem nenhum crime digno de condená-lo ao inferno. Tem por outro lado, uma história fascinante e uma obra fenomenal.

Eu nunca sonhei em vê-lo ao vivo. Quando ele veio ao Brasil, em 93, eu era novo, muito dependente, e não pude ir a São Paulo ver o show. Sei que ele tocou bêbado, nervoso; que ele foi rude com a plateia e tudo mais. Mesmo assim, sempre tive muita tristeza por ter perdido essa apresentação. Nunca pensei que teria outra chance.

Mas tive! No dia 20 de setembro de 2009, Jerry Lee Lewis chegou a Belo Horizonte para uma noite que eu nunca vou esquecer.

Comprei o ingresso com muitas semanas de antecedência e cheguei cedo no dia. O Music Hall é compacto, e pude ficar colado no palco. Aespera pela hora certa foi apaziguada pelo encontro com meu querido amigo Edinei e uns camaradas levemente alterados que estavam por perto, e ficamos comentando os clipes que estavam no telão. O show de abertura foi fenomenal, levado por uma banda de São Paulo que fez um rock´n´roll simples mas muito competente. Fiquei maravilhado com a apresentação deles, lembrando de uma cena do filme "De olhos bem fechados" em que a personagem da Nicole Kidman diz ao personagem do Tom Cruise que se interessara por um cara e que, se ele a tivesse convidado para fugir, ela teria largado tudo ali. Pois se o pessoal daquela banda tivesse me oferecido um emprego de guitarrista, eu jogava minha carreira para o alto e ia viver de rock também! Confesso que cheguei a ficar com pena do Jerry Lee Lewis. Sabia que ele estava velho e decadente, e de todo o coração eu tinha certeza de que ele jamais poderia superar aquele incendiário grupo de jovens. Eu havia visto o show do Chuck Berry recentemente, e, mesmo estando em muito melhor forma do que o Jerry Lee, ele não tinha feito um grande espetáculo. Mas tudo bem: o que eu queria era ver a lenda.

Quanto erro... Assim que a banda do Jerry Lee Lewis subiu ao palco, eu soube que não tinha para ninguém. Imediatamente, à medida em que os coroas iam sacando suas guitarras dos estojos, ficou claro que aquela banda de São Paulo, por mais legal que fosse, não passava de uma pálida imitação. Elegantes, maduros, magníficos, os músicos do Jerry Lee Lewis mostraram logo o que é um show de verdade, deixando todos de boca aberta com alucinantes duelos de guitarra.

Quando a estrela finalmente entrou no palco, fiquei apreensivo de novo, por um momento. Os anos de bebida certamente deixaram sua marca no Killer. Aos setenta e poucos anos, ele aparente facilmente bem mais de oitenta. Curvado, trêmulo, enrugado, com andar cambaleante, aspecto frágil, ele é mesmo uma memória distante do galã de de cachos dourados que calou a boca do Chuck Berry com um piano em chamas e uma música incendiária.

Minha apreensão, porém, durou pouco. Assim que encostou os dedos no piano, ele era um Jerry Lee Lewis ainda melhor do que o garoto arrogante de antigamente. Durante algumas dezenas de minutos, ele deixou todos boquiabertos com clássicos como "Down the line", "Mexicali Rose", "Roll over Beethoven" e o novíssimo single "Mean old man". Para encerrar, ele mostrou duas performances matadoras de "Great balls of fire" - que serviu de fundo a este post, vide a barra do DivShare no início - e "Whole lotta shaking going on".

Na saída, não consegui o autógrafo, mas estava bem perto dele quando ele saía, menos de um metro, e pude ouvi-lo dizer, aparentemente com muita dificuldade, ao segurança: "Tell them I´m thankful". Aí falei bem alto, com todo o pulmão: "Thank you, Jerry Lee Lewis! God bless you!".

Entre tantos momentos memoráveis, o show proporcionou ainda algumas curiosidades. O Music Hall inacreditavelmente não tem um acesso para o artista entrar sem ser notado. Foi por isso que pude estar tão perto do Jerry Lee na saída. Foi por isso também que o show de abertura teve uma emoção ímpar, quando o astro chegou, escoltado pela segurança, atravessando a plateia. Notei que os músicos dele se responsabilizaram pelo próprio equipamento, guardando as próprias guitarras e a bateria, no palco, enquanto ainda havia gente na plateia, sem nenhum tipo de afetação e esnobismo que são característica de músicos muito menos merecedores de respeito. Fiquei muito tocado com isso, porque sempre me admiro com a simplicidade de pessoas inegavelmente valorosas e merecedoras de honras, em contraposição à prepotência dos incompetentes e estúpidos, que, infelizmente, infestam o mundo.

Voltando, caminhei um quarteirão com o Edinei e o João Paulo, filho dele, muito agradecido por ter compartilhado esse momento com eles, pessoas tão especiais em minha vida. Entrei no carro e ligei o play da câmera, ouvindo minhas gravações enquanto dirigia na calada noite de domingo, absorvendo o show e comparando os registros do jovem e arrogante Jerry Lee Lewis ao frágil e profundo senhor que eu acabara de ver. Ele fez um show simples, bonito, profissional no melhor sentido do termo. Estava bem vestido, no que foi acompanhado por toda a banda. Pensava em como é possível tanta porcaria em tanto lugar, quando, afinal, fazer um bom espetáculo não exige muito mais do que um pouco de carinho. Ao mesmo tempo, sentia que as lições que eu recebera naquela apresentação ainda não estariam completamente assimiladas por muito tempo. A voz dele sem microfone, com aquele sotaque muito carregado, continuava soando no meu ouvido. "Tell them I´m thankful".

Eu me senti também muito agradecido por toda a noite. Cada dia dos dezesseis anos que se passaram desde o show perdido de 93 valeu, para que eu pudesse me preparar bem. 20 de setembro de 2009 foi um dia para eu não esquecer.

Abraços,

Guilherme



Escrito por Professor Guilherme Lentz às 14h49
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]






Fé no amor

Olá!

2:57 da manhã.

Acabo de encerrar minhas atividades de correção de prova do dia. É certo isso?

Aqui está o rock que me ajudou a chegar até essa hora. Liga o subwoofer, aumenta o som, solta a alma e deixa o coração bater! Ringo Starr na bateria, e Platinum Weird com a maravilhosa "If you believe in love"...

You don't have to run and hide
‘Cause I've been watching the signs
And dodging the lies

And every moment that goes by
Says what I already know
That you're running away from home

If you believe in love
Then you should believe in us
You don't have to deny it
At least we could try it for a while

If you believe in love
Then you should believe in us
‘Cause if we don't have each other
Then we have nothing at all

Why has everything turned cold
I feel frost in the air
And in the length of your stare
And every effort that you make
Feels like you're hitting the brakes
And like you're making a big mistake

And if I don't have you then
I just don't have anything
And if you don't have you then
I'll just be the lonely one

Abraços,

Guilherme



Escrito por Professor Guilherme Lentz às 03h02
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]






Oba! ... será?

Olá!

Estávamos ansiosos aqui em casa esperando por um novo modelo de Max Steel que tínhamos visto na embalagem. Quando cheguei do trabalho no sábado, meu menino estava no telefone, do shopping, aonde tinha ido com minha gata: "Papai! Papai! O Max da roupa preta apareceu aqui na loja!". Minha esposa não amou a ideia, mas concordou em trazer o boneco para mim. Ainda bem! Esses Max de roupa preta estão muito populares, e parecem que as lojas não recebem em quantidade suficiente. Da última vez, quase não consegui o meu, e o boneco sumiu das lojas. Dessa vez já resolvi a questão. Se o boneco é mesmo tão legal quanto eu esperava, porém, é outra conversa.

Vamos dar uma olhada:

Prós e contras, né?

Esse boneco faz parte da série Turbo Missions, que é acompanhada por um série homônima de pequenos desenho animados de um minuto e meio. Esses desenhos são um barato. Trazem histórias concentradas e bem boladas. Como ando realmente sem nenhuma perspectiva de poder me dedicar ao meu querido hobby de fotoestórias, tenho pensado em criar algo mais direto, aproveitando a ideia. Coloquei no YouTube um vídeo da atual temporada das Turbo Missions em que o Max aparece com esse traje preto:

Acho que, no todo, a chegada do boneco trouxe um astral positivo aqui em casa, apesar de eu achar que ele está muito caro, considerando suas falhas de execução. Mas a semana começou, como sempre, muito puxada, e a gente precisa respirar com essas coisas, que nos lembrar que nossa vida também é cheia de aventuras.

Abraços,

Guilherme 



Escrito por Professor Guilherme Lentz às 19h37
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]






Curtindo os Beatles

(clique sobre o botão de play na barra e deixe rolando enquanto lê...)

Olá!

Como se sabe, o ser humano é capaz de muitas façanhas maravilhosas. Amar e fazer arte são as minhas preferidas.

Tenho essa ideia para uma história. No dia do juízo final, o Tribunal Celestial estará reunido para deliberar, e a humanidade estará no banco dos réus. O Procurador Eterno fará sua exposição, apontando para a humanidade, encolhida, enquanto mostra imagens horríveis em um telão e vocifera para os demais juízes: "Nazismo! Guerras! Drogas! Crimes! Omissão! Abandono! Devastação ecológica! Crueldade! Inveja! Doenças criadas artificialmente! Essa entidade deve ser banida da existência e punida por toda a eternidade!", concluirá, enquanto a humanidade, ciente de seus pecados, ficará encolhida em seu assento, os olhos baixos. Os membros do Tribunal trocarão olhares, balançarão a cabeça, desgostosos com as ações da filha rebelde, por quem o próprio Criador, na forma de seu filho, ofereceu-se em sacrifício. O Juiz erguerá o martelo, severo: "Se não houver mais considerações, estou pronto para ditar a sentença". Todos trocarão olhares de cumplicidade.

Mas, nesse momento, um velho membro do Conselho, que se terá mantido calado até então, erguerá o dedo e dirá, um pouco timidademente: "Mas... e Guimarães Rosa?". Todos se assustarão um pouco: "O que disse, irmão?". E ele insistirá: "E Michelangelo? E Leonardo? Cervantes? Camões? D.Dinis? Machado de Assis? Drummond? Gaudi? Monteiro Lobato? Van Gogh?". Um murmúrio confuso de fará no recinto, enquanto os juízes trocarão uns com os outros ponderações ignoradas, em um sinal de que um novo tipo de consenso se formará. O velho questionador esperá até que o ambiente se acalme e, inclinando-se um pouco, encarará vitoriosamente seus colegas: "E os Beatles?".

Esse será o fim da história. Acho que, no final, a arte vai redimir a humanidade.

Outro dia escrevi que os Beatles são a mais comovente demonstração do potencial artístico humano e depois fiquei pensado em como isso é verdade. No livro que acompanha a mais recente edição do filme "Help!", alguém - Martin Scorcese, se não me falha a memória - diz que, celebrados como são, os Beatles ainda são subestimados, tamanha é sua contribuição. Eu concordo muito com isso. Acho que a humanidade não se dá conta da riqueza artística dos Beatles. Para mim, não existe criação artística que se compare a eles. Nem a Capela Sistina, nem as pirâmides do Egito, nem a Muralha da China, nem a Monalisa, nem Homero, Shakespeare ou Guimarães Rosa, nem mesmo a Vênus de Milo. Minha impressão é de que a obra dos Beatles tem que ser avaliada em outra escala; é uma força da natureza.

Nessa semana em que celebramos a existência dessa beleza, vou terminar com mais uma canção deles aqui, em mais uma mixagem que estava inédita em CD oficial. Essas duas obras-primas que este texto de hoje acompanha estã entre aquelas joias que o grande público às vezes deixa escapar, que não entram nas coletâneas ou edições comemorativas, mas que exibem um bilho faiscante quando as olhamos de perto.

Abraços beatlemaníacos,

Guilherme



Escrito por Professor Guilherme Lentz às 13h43
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]






09.09.09

(Clique sobre o "play" e deixe rolando enquanto lê...)

 Olá!

Já dizia a canção "Revolution 9", dos Beatles: "number nine... number nine... number nine...".

Esperei vinte anos por hoje, o dia B: o dia dos Beatles. Começou a ser vendida hoje a discografia dos Beatles remasterizada, algo pelo que os fanáticos como eu vêm esperando há muitos anos.

O que é masterização e por que isso é importante?

Masterização é o processo de transferência da gravação final para um formato que possa ser usado pelo público final, como CD ou vinil. Nessa fase, são possíveis alguns ajustes no som. Durante esse processo, os responsáveis têm que levar em conta o tipo de equipamento à disposição do público e pensar em como o material vai soar para esses ouvintes.

Os discos dos Beatles foram masterizados com referência na tecnologia de áudio da época, que obviamente é bem inferior à de hoje. Com o que temos agora, é possível ouvir a música com muito mais clareza, mais beleza, mais detalhes do que na época. Para isso, porém, era preciso que os discos fossem remasterizados, para que se pudesse tirar das fitas originais o maior aproveitamento. 

Os CDs antigos eram todos feitos a partir das mesmas matrizes analógicas que já existiam, exceto o Rubber Soul e o Help, que foram remixados nos anos 80. Mesmo que uma remasterização tivesse sido feita, nada impediria que uma nova remasterização fosse desejável agora, vinte anos depois, para que a qualidade dos CDs pudesse acompanhar a evolução da tecnologia para tocar música à disposição do público. Da forma como os CDs vão sair agora, vamos ouvi-los com mais clareza, mais potência, mais brilho, mais realismo.

Além disso, teremos disponíveis no mercado, pela primeira vez na era do CD, gravações mono e estéreo dos discos dos Beatles. As gravações mono e estéreo existem porque os Beatles produziram sua obra num momento em que a tecnologia de gravação e publicação de música estava atravessando a transição do fomato monofônico para o estereofônico. Muitas pessoas ainda só tinham ou simplesmente preferiam o equipamento mono, ao mesmo tempo em que havia a demanda pelo novo formato, que permite a separação dos sons em duas caixas e, portanto, maior nitidez e ambiência, ou seja, a sensação de que o som tem profundidade, como acontece quando estamos dentro de um ambiente com um músico executando seu trabalho sem aplificação artificial. Para atender aos dois tipo de público, a equipe dos Beatles sempre criava pelo menos duas mixagens diferentes de cada trabalho, uma estéreo e uma mono, sendo que uma muitas vezes não era mera reprodução da outra, mas uma nova montagem da gravação, com diferenças mais ou menos significativas. Em alguns casos, as diferenças são importantes mesmo, e é por isso que os fãs vêm querendo as mixagens mono, fora do mercado há tanto tempo. Com o vitória do estéreo, a partir do final dos anos 60, essa questão das mixagens diferentes deixou de existir regularmente.

Eu ouvi os Beatles pela primeira vez em 1989, através de um exemplar monofônico do "Help!" brasileiro, que peguei emprestado na casa da minha avó e devolvi em um trágico momento de loucura. Aquela lasca de vinil mexeu comigo; na verdade, ainda não me recuperei do choque de ouvir um álbum tão fenomenal. Era lindo, o "Help!" mono brasileiro, diferente de todos os outros. Ele trazia as faixas do filme em um lado e canções diversas no outro, como "PS I love you" e "I´m down". Naquela época, eu sequer conseguia identificar quem cantava em cada canção, quanto mais perceber que existia algo como mixagens mono e estéreo. Como eu poderia ter adivinhado que o Paul fazia todas aquelas vozes diferentes? Eu não tinha um preparo para ouvir música nem nada. Isso eu aprendi com o amor pelos Beatles. Uns dois anos depois, eu estava por acaso ouvindo o Past Masters com fones de ouvido em um K7 que eu tinha gravado e notei o estéreo de "I wanna hold your hand" pela primeira vez. Foi quando comecei a prestar atenção nos dois canais, mas ainda demorei para perceber que os quatro primeiros CDs eram em mono, ao passo que alguns discos de vinil que eu tinha eram esterofônicos. Em mais um ano, aproximadamente, eu descobriria a existência das versões em mono do "White album" e do "Sgt.Peppers". Desde então venho progredindo como ouvinte.

Acabei me tornando fã da mixagem mono. Ela tem um conforto que o estéreo não tem. Não é nada que eu note se estiver ouvindo distraindamente a um fundo musical, mas, se comparo as duas versões, meu coração dá uma parada.

A propósito, há alguns anos eu consegui reaver aquele "Help!" brasileiro! Em uma brincadeira bem da família, escrevi uma cara para o Papai Noel, contando toda a história e falando sobre como aquele LP tinha mudado minha vida. Meu pai ficou tocado pela história, visitou todo mundo, revirou a casa da minha avóe acabou achando o disco na casa do meu tio. Na manhã de Natal, lá estava ele, embrulhado em papel azul, sobre o meu sapato, embaixo da árvore. É claro que é meu item preferido da coleção.

Quem poderia supor que, além da música incomparável, os Beatles ainda nos proporcionariam todas essas experiências incríveis? É uma riqueza enorme amar os Beatles. Eu tenho muito orgulho desse amor; e sou muito grato por eles terem sido colocados em minha vida.

Hoje, enquanto anda na rua, mal podia, como já me aconteceu em outros dias de glória dos Beatles, acreditar que o mundo continuasse funcionando da mesma forma, indiferente ao fato de que a mais comovente demonstração do potencial artístico humano jamais existente estivesse ao alcance de todos, nessa nova forma. Eu só pensava nas minhas duas caixinhas, uma como os CDs mono e a outro com os CDs estéreo, que estão vindo da Inglaterra para mim.

Boa audição a todos!

Um abraço,

Guilherme



Escrito por Professor Guilherme Lentz às 23h05
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]






Up

SPOILER   SPOILER   SPOILER   SPOILER   SPOILER   SPOILER   SPOILER   SPOIL

ATENÇÃO!

ESTE POST CONTÉM INFORMAÇÕES SOBRE O FILME "UP". NÃO O LEIA SE NÃO QUISER SABER SOBRE FATOS PRESENTES NO FILME.

 

Olá!

Fui ontem ao cinema ver "Up", que minha esposa aguardava ansiosamente há meses. Sei até que a Hot Toys, que não perde mais nenhuma, vai lançar em breve umas figuras inspiradas no filme, que parecem lindas, como tudo o que a empresa faz. O filme em si, porém, agradou mas não vai mudar minha vida.

Tudo é muito bem feito, mas há alguns inconvenientes. O tipo de cenário, bem desolado, é já lugar comum das animações digitais. Parece que os produtores criam isso para não terem que se preocupar com detalhes demais dos cenários. A narrativa passa por um bom momento inicial, mostrando a vida a dois do protagonista e sua amada, mas depois não mantém o mesmo pique. A aventura do velhinho Carl e de Russell caminha para uma redenção e uma mensagem edificante, mas não há realmente, no trajeto deles, nenhuma experiência que proporcionasse uma transformação profunda. Achei também que o filme usa alguns clichês do lirismo, como saudade da mulher amada, criancinha abandonada, sorvete, balões, cachoeira, cachorrinho e assim por diante. "Carros" conseguia um efeito muito mais tocante, sem apelar para nada tão óbvio. A animação tridimensional também não me impressiona tanto, ainda mais considerando os altos preços que estão cobrando por ela. Enfim, boa parte do filme é só um reempacotamento bonito de muitas receitas que já estamos acostumados a ver.

Desde, talvez, "Nemo", os produtores de animação vêm usufruindo do poder de tocar nossos corações, mas, ao invés de isso ser um saudável efeito colateral de um trabalho bem realizado, já se tornou uma proposta em si, e já existe toda uma técnica especialmente desenvolvida para isso. Resultado: as obras estão menos espontâneas, mais apegadas a estratégias, mais previsíveis. O efeito está se perdendo. Se a animação quiser sua caminhada como um gênero dominante no cinema americano e digno de respeito do público adulto, vai ter que resistir a essa tentação pela facilidade.

Entre os pontos positivos, gostei muito do personagem do aventureiro desaparecido, ídolo de infância de Carl que sumiu para provar uma descoberta e reaparece, muitas décadas depois, como um recluso eremita na floresta tropical, diante do maravilhado protagonista, apenas para se revelar um enlouquecido vilão. Tenho certeza de que esse personagem foi inspirado por Charlton Heston, que propiciou exatamente as mesmas três sensações que o vilão do filme: (1) maravilhamento quando era visto nos filmes antigos; (2) surpresa quando descobri, anos e anos mais tarde, que ainda estava vivo; e (3) decepção, quando soube que ele estava envolvido em uma cruzada a favor do uso de armas. Até o tipo físico deles é parecido.

Isso acaba tendo a ver com o grande tema do filme, a decepção. Apesar do título, "Up" é realmente um filme melancólico, que mostra que todos os projetos de vida de Carl e Russell foram frustrados. O herói de infância era um engodo; o filho sonhado não existiu; o pai ausente nunca chegou; a grande cerimônia era um encontro em um auditório vazio; nenhuma fantasia se realizou. O filme mostra que a vida é mesmo uma demolidora de sonhos.

Se mesmo assim ele escapa do baixo astral e transmite a alegria sugerida pelo título, é por uma lição em que acredito muito: a realização amorosa é o que dá sentido a nossas vidas. É difícil imaginar que um velhinho dedicado e esperto como Carl tivesse tanta dificuldade para se dar conta disso.

Abraços,

Guilherme



Escrito por Professor Guilherme Lentz às 19h17
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]






[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
border=0