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Blog do Lentz | |||||||||||||||
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Arthur D-32 ![]() Olá! Para dar uma corzinha a um anviversário meio morno, vou mostrar aqui outra aquisição recente, que chegou junto com o aviãozinho vermelho e coincidentemente também traz as lembranças das inesquecíveis tardes de brincadeira na casa do Daniel. Trata-se dos robozinhos de uma das coleções de brinquedos mais legais de todos os tempos para mim, a série Playmospace, do Playmobil. Aí vão umas fotos. ![]() Show de bola, não é? Como acontece com muitos brinquedos do início dos anos 80, o tema e o design são claramente inspirados por Guerra nas Estrelas. Todo mundo se lembra do Arthur, cujo nome inclusive imitava a pronúncia do R2-D2 em inglês. O Luke Skywalker se referia ao robô como "R2", que, em inglês, soa como "Arthur", lembram? Esse companheirinho do Playmobil também lembra o amigo do C3-PO. Eu achava legal que os circuitos na cabeça dela lembram um pouco a paisagem de uma metrópole futurista, como se fosse uma espécie de Kandor, a cidade miniaturizada que o Super-Homem guarda dentro de uma garrafa, como se fosse uma espécie de gênio da lâmpada. Então esse é mesmo um brinquedo maravilhoso e cheio de referências, o que, juntamente com sua simpatia, típica do Playmobil, o coloca entre os meus itens brinquedísticos preferidos de todos os tempos. Um abraço a todos e feliz aniversário, Guilherme ![]() Escrito por Professor Guilherme Lentz às 18h32 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Carta para mim mesmo aos sete anos ![]() ![]() Querido amiguinho, Lembra quando estávamos no pré-primário e fazíamos um revezamento com nosso querido amigo, o Daniel Junqueira? Terças e quintas, depois da aula, cada vez na casa de um. Que barato era a casa dele! Ao lado da casa propriamente dita, cheio de entulho de construção e toda sorte de segredos, havia o lote vazio, que inavadíamos pulando o muro para viver incrívies aventuras. Sobeniau: era assim que o Daniel chamava o lote, usando um nome tão secreto que nem ele mesmo se lembra mais disso; então agora essa lembrança é o nosso segredo. Ao lado da Sobeniau, havia um outro casarão antigo, que depois foi ocupado por uns parentes do Daniel. Ele também não se lembra, mas tenho certeza absoluta de que antes disso nós chegamos a invadir a casa, que estava abandonada, escalando paredes e passando por uma espécie de ponte. A casa do Daniel propriamente dita era um show à parte, com seus cômodos secretos, alguns dos quais cheios dos mais incríveis brinquedos, e uma piscina quadrada pequena, que era enchida raramente, mas fazia a festa acontecer. Depois o muro que separava a Sobeniau da casa foi derrubado, o lote foi reformado e se transformou em uma bela quadra esportiva, que, apesar de não ser tão proibida nem tão perigosa, continuou a ser palco de nossas brincadeiras por muito tempo ainda. Agora tudo aquilo acabou. As casas não existem mais. No lugar da Sobeniau está alguma construção moderna. Quando passo pela rua, não sei precisar onde estavam aqueles lugares. Tudo lá agora é chique e comercial, sem nada a ver conosco, nada a ver com aqueles dias, nada a ver com o Daniel, nada com o Adão, com a linda cadela collie, com a sempre sonhada mas nunca concretizada viagem à fazenda em Itabira, com as inacreditáveis façanhas da Consita. Sei que você ainda pensa nos brinquedos de lá, nas miniaturas do Chips, dos heróis emborrachados da Gulliver, no aquamóvel, nos maravilhosos astronautas em suas naves, nesses artefatos tão marcantes que em muitas casos você não se incomodou de passar anos em busca deles. Mas o que mesmo você quer achar, meu caro? Conta: você se lembra do aviåozinho vermelho do Playmobil? Ah, essa foi até covardia... Você se lembra? Heim? Não vira o rosto, não enche o olho de água; eu sei que você se lembra, sei que sonhou com ele todos esses anos. Sei que comprou um avião verde só para ver se matava a vontade, mas não conseguiu. Eu vi o desenho que você fez, aos sete anos, do avião, colorido com tanto cuidado que eu nunca vi, roubando a cor do próprio céu, refletindo gloriosamente o brilho do sol, de um sol feliz por iluminar aquele vôo. E lá dentro, o Playmobil, feliz também. Fala a verdade: você queria ser aquele Playmobil. Eu sei que a imagem do aviãozinho vermelho, veríssima imagem, ficou marcada em você todos esses anos. A vida seguiu o caminho, mas, se você parasse para analisar, percebia que, em muitos momentos, em horas de saudade, em horas de emoção, em horas de coragem, de amizade, em muitos momentos assim, era ele que estava lá atrás, rasgando as nuvens, vento no rosto: o aviãozinho. Pois é, meu amiguinho, eu queria lhe contar... eu consegui! Ele está aqui, diante de meus olhos, o aviãozinho vermelho do Playmobil! Demorou muitos anos, mas ele chegou. E agora tudo fez mais sentido. Fico até achando que mantive você por perto todos esses anos só para que pudéssemos ter essa alegria. Mas, agora que ela se concretizou, não quero que vá embora. Pelo contrário; quero que você fique mais, fique para sempre. Vou levá-lo para passear, e você fará o mesmo por mim, e juntos ganharemos o céu como naquele seu desenho, e dessa vez vamos levar os nenéns, a namorada, todo mundo de quem gostamos, para olhar lá de cima com a gente, e a gente ver o mundo normal ficar pequeninho até sumir de vista e se transformar em uma clara e linda paisagem. E quando voltarmos colocaremos os pés nos chão, mas pisaremos com mais firmeza. Então, capacete amarrado, hélice girando, horizonte à frente... agora nos vamos voar. Um abraço, Nós ![]() ![]() Escrito por Professor Guilherme Lentz às 10h22 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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