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Esperando o batmóvel

Olá!

Se alguém achar um resto de Guilherme por aí, sou eu; pode mandar por sedex. Que semana, heim... Não sei se sou eu que está mais lerdo ou se a carga de trabalho é que vem aumentando a cada ano mesmo.

Eu ia me sentir um pouco mais consolado se pudesse bancar certas fantasias sem ficar com a consciência pesada. Mas não. Vejam essa, por exemplo. Desde que a Hot Toys, essa incrível fabricante de brinquedos que felizmente tem um gosto um pouco diferente do meu, anunciou seu batmóvel, há uns dois anos, acho, venho mantendo o sonho de adquirir um para mim. Esse não é o tipo de compra que se faça com total prudência e eu não tenho o padrão de vida que me permita agir sem prudência, mas fiz alguns pactos comigo mesmo para abrir uma exceção - quem frequenta o blog deve ter percebido que a entrada de novos brinquedos aqui praticamente acabou.

Enfim, o carrão está a caminho! Desde o dia 27 já chegou no Brasil e no momento aguarda os procedimentos de praxe. Os relatos de quem já o viu pessoalmente dão contam de que ele realmente é um item único. Para ajudar na espera, peguei uma versão menor que tenho aqui, em escala 1:50, desse mesmo batmóvel e bati umas fotinhas bem humildes, dentro das atuais limitações de tempo.

Apesar de minha versão preferida do batmóvel continuar sendo a do seriado dos anos 60, eu fiquei fã dessa versão, o tumbler, desde as primeiras fotos promocionais. O design mistura elementos de vários de meus veículos favoritos do mundo real: o Lambourghini Countach, o Hummer e o jato F117, além de ter uma dose de tanque de guerra, em uma referência, acredito, ao batmóvel modificado mostrado por Frank Miller na incomparável graphic novel "O cavaleiro das trevas". As imagens não desmentem:

 

E aqui o meu Hot Wheels 1:50:

Muito em breve, vou estar com esse carrão para passear por aí.

Abraços,

Guilherme



Escrito por Professor Guilherme Lentz às 19h35
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Mia irmana fremosa

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Olá!

Enquanto estou no assunto das cantigas medievais, quero aproveitar para pôr aqui no blog algo que venho querendo mostrar há muito tempo: uma cantiga do trovador Martin Codax. A bem da verdade, eu já postei um vídeo espetacular do YouTube uma vez, mas nunca montei eu mesmo uma amostra do resultado de minhas pesquisas sobre o assunto.

O Martin Codax é um trovador muito especial. Suas sete cantigas formam uma espécie de narrativa sobre a espera de uma moça pela volta de seu amado. Essa história é pano de fundo para um dos mais fenomenais achados da história da língua portuguesa: o cancioneiro do autor, com as partituras. Durante séculos, os estudiosos lamentaram o fato de não existirem partituras de cantigas medievais. Essa situação, porém, mudou no início do século XX, quando Pedro Vindel acidentalmente descobriu uma folha com as cantigas de Martin Codax e as respectivas partituras, permitindo-nos ouvir, pela primeira vez, em centenas de anos, a melodia que nossos ancestrais ibéricos cantavam.

Eu sou fascinado por essa história. O Pergaminho Vindel, como ficou conhecido, estava sendo usado como capa de um outro livro, e só foi descoberto durante uma restauração. Fico pensando sempre na sorte que demos por essa descoberta ter sido feita pela pessoa certa, com o conhecimento e os olhos habilitados para se dar conta do tesouro que tinha em mãos. Hoje ele está em Nova York e tem o seguinte aspecto:

Em minha biblioteca, tenho o humilde prazer de contar com um fac-símile desse documento de imensurável valor histórico e artístico. Encontrar gravações desse material não foi tão fácil, mas hoje tenho uma pequena coleção de interpretações da obra de Martin Codax. Vou deixar aqui uma das primeira que consegui: "Mia irmana fremosa", interpretada pelo grupo de música antiga brasileiro "Quadro Cervantes", em seu CD "Brasil 500 anos":

O trabalho desses grupos de música antiga é um show à parte. Para se ter uma ideia, basta mencionar, por exemplo, que os instrumentos que usam precisam ser construídos a partir de ilustrações medievais e descrições em livros antiquíssimos, já que não se tem notícia de instrumentos da época que tenham sobrevivido aos séculos. Não consigo imaginar o nível de dedicação e especialização que um trabalho como esse exige. Esse é justamente um dos aspectos que me encantam na poesia medieval: o fato de que tantas pessoas - filólogos, músicos, luthiers, editores e outros - tenham dedicado tanto de suas vidas à tarefa de tornar esse legado acessível ao mundo.

Para ouvir a cantiga "Mia irmana fremosa", clique sobre o botão de play da barra do DivShare:

 

Lindo demais.

Antes de encerrar, gostaria de registrar que, com a chegada de setembro ("Quando entrar setembro... e a boa nova andar nos campos..."), começa a contagem regressiva para o lançamento da discografia remasterizada dos Beatles, no dia 9 - 09/09/09. Preparemos nossos corações!

Um abraço,

Guilherme



Escrito por Professor Guilherme Lentz às 10h30
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Leda mand´eu

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Olá!

Já que falei do José Mário Branco, vou mostrar mais uma de suas versões para cantigas medievais, "Leda mand´eu".

A letra dessa cantiga medieval é de Nuno Fernandes Torneol, um dos maiores trovadores, sem dúvida. "Leda mand´eu", que significa "Alegre ando eu", é uma das minhas cantigas preferidas também. Quando estudamos poesia medieval, sempre está em pauta a questão da concretização ou não do interesse amoroso, e as cantigas de amigo tendem a ter uma leve atmosfera de erotismo.

Nessa cantiga de Nuno Torneol, a personagem feminina recorda de quando lançava seu olhar sobre o amado dormindo, no início da manhã, em uma sutil sugestão de que haviam passado a noite juntos e, presumivelmente, mantido relações sexuais. A felicidade desse momento é representada pelo alegre canto dos pássaros ao raiar do dia. Algo, porém, muda a situação, o que o poeta representa lindamente através da alegação de que o amado cortou os ramos em que as aves pousavam e secou as fontes em que elas bebiam, enquanto o refrão, assumindo agora um contraponto melancólico, até irônico, permanece inalterado.

José Mário Branco, novamente, captou muito bem a alma da cantiga e a musicou com perfeição, expressando bem a ambientação matinal e melancólica da narrativa subjacente ao texto. Para ouvir a gravação, clique o botão de "play" na seguinte barra do DivShare:

 Bonito, não é?

Abraços,

Guilherme



Escrito por Professor Guilherme Lentz às 23h29
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