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Chegada do batmóvel

Oi!

Não posso deixar de registrar a chegada do batmóvel da Hot Toys, o brinquedo mais comentado aqui em casa nos últimos dois anos.

Enquanto não acho a hora de documentá-lo como ele merece, ficam aqui umas fotos meio improvisadas, só para marcar o dia.

Bat-abraços,

Guilherme



Escrito por Professor Guilherme Lentz às 00h47
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Vale ouvir

(Este post tem que ter música. Clique no play e deixe rolando, enquanto lê...)

Olá!

1989 foi o grande ano da minha adolescência. Conheci os Beatles - não precisa falar mais nada. A banda, o Garrotevil, estava no auge. Meus amigos eram o máximo. Estávamos todos investigando principalmente novos estilos musicais. Aqueles eram dias muito empolgantes mesmo. Só namorada é que estava difícil... Mas, enfim, e gente tem que pagar algum preço para ser intelectual. De todo jeito, o quente mesmo era a música.

O Garrotevil estava num processo de descobertas musicais e, como parte desse processo, esbocei um pequeno interesse por música espanohla, que não chegou a se desenvolver muito. Mas foi o bastante para uma empolgante aventura musical com o grupo Santa Esmeralda e seu hit "Don´t let me be misunderstood".

Estávamos numa daquels granfinérrimas festas de quinze anos, e eu, como sempre, perambulava para cá e para lá, totalmente deslocado naquele ambiente. Para não ser injusto com minha exuberância adolescente, vou contar que uma colega tenebrosa que eu tinha resolveu inaugurar a carreira de alcóolatra naquela noite. e o resultado da bebedeira foi uma estranha fixação por mim, que durou várias semanas ainda. Hoje em dia acho o caso meio cômico, mas, na época, fiquei morrendo de medo, e ainda fui vítima da gozação dos colegas. Ah, a juventude...

Enfim. Estava eu perambulando pela festa, quando a mais incrível canção que eu já tinha ouvido - sem contar os Beatles - começou a tocar nas caixas. Assim que as castanholas começaram, eu senti uma fincada na espinha, e, do primeiro acorde de violão em diante, eu fiquei absolutamente paralisado. A canção era linda e cheia de energia, exuberante. Quando consegui recobrar os movimentos, comecei a parar as pessoas pelo salão, perguntando se alguém conhecia aquela canção - esse é mesmo o tipo de atitude que só adolescente toma. Mas ninguém sabia do que se tratava, e eu até hoje fico estupefato com a indiferença das pessoas diante das bençãos mais lindas que florescem ao redor delas. A canção ia chegando ao fim, e nada de alguém conhecê-la. Achei que a perderia para sempre.

Foi então que meu querido amigo Rodrigo Belisário, como sempre, apareceu como um messias do meio da multidão, eufórico, até meio suado: "Guilherme, Guilherme! Ainda bem que te achei! É essa música, é essa música que eu queria que você ouvisse!". Foi então que eu soube: ela se chamada "Don´t let me be misunderstood", e era interpretada por um misterioso grupo dos anos 70, o Santa Esmeralda.

Iniciou-se uma longa busca. As coisas eram diferentes naquele tempo. Nada de internet, de download, de peer-to-peer. Quem quisesse uma canção tinha que cavá-la. E aquele LP não existia mais. Fazia muito tempo estava fora de catálogo. Ninguém tinha. Tentei de tudo. Fui a todos os sebos, liguei para parentes, pedi favores, mas nada. A canção não existia mais.

Mas a vida tem suas surpresas. Alguém me disse, recentemente, que o bom de não acharmos o que procuramos é acharmos o que não procuramos. Minha  busca por "Don´t let me be misundestood" me levou a uma linda loja de discos que havia no BH Shopping, o museu do disco. Lembro-me que minha mãe me levou lá, e eu muito timidamente disse ao vendedor que estava procurando meu pequeno santo graal. "Santa Esmeralda? Tem certeza?", ele perguntou. "Eu tenho aqui essa música com outra banda.", e me sacou um LP de uns caras que eu, na minha inocência dos 14 anos, não conhecia: Eric Burdon, with The Animals & War. E pôs para eu ouvir. Até hoje vejo a agulha tocando o vinil, na minha frente, quando penso nisso.

Já aconteceu de você se apaixonar duas vezes pela mesma pessoa? Espero que sim. Pois a "Don´t let me be misunderstood" que estava naquele LP era, se é possível, ainda mais fenomenal do que a que eu ouvira na festa. Com o toque que nos anos seguintes eu viria a conhecer tão intimimamente como o toque do blues, Eric Burdon levava a banda por uma performance devastadora da canção. Eu fiquei de queixo caído.

A mamãe, é claro, não resistiu, e bancou o presente, que está na minha coleção até hoje. Depois me levou para lanchar no McDonalds. Eu me lembro sempre desse dia, além da música, porque ela falou "Nâo sei quando nem se vou ter outra oportunidade na vida de lanchar com você no McDonald´s", e, de fato, até hoje nunca mais repetimos o programa. Mas precisamos, heim, mamãe! Numa versão mais light, é claro, para não atrapalhar sua pressão!  E sem Eric Burdon, porque esse vai fazer seu coração bater mais rápido do que hélice de helicóptero.

A versão do Santa Esmeralda, é claro, eu acabei encontrando também, através do Daniel, um colega do colégio que localizou a joia no meio dos discos velhos do pai. Depois fui aprendendo que o Santa Esmeralda era especializado em versões discoteca de clássicos do rock. Sei que a reputação da discoteca é polêmica, mas temos que admitir que aquele pessoal tocava uma guitarra, uma bateria, um baixo de parar a respiração. Às vezes fico me perguntando onde tanto músico fenomenal foi parar.

Curiosamente, acabei descobrindo, muitos anos depois, que a versão do Eric Burdon também não era a original, mas uma visita ao clássico que ele mesmo gravara nos anos 60. Mas a gravação daquele LP continuou, para mim, sendo o registro definitivo e insuperável dessa linda obra, que é "Don´t let me be misunderstood". Hoje, graças à internet, descobri que meu velho vinil trazia apenas uma prensagem editada dessa obra-prima, que agora tenho na íntegra.

Então aumenta o volume, prende a respiração e aperta o play, que aqui está Eric Burdon, com "Don´t let me be misunderstood":

 

Um abraço,

Guilherme

 

P.S.: 18:14

Chegou hoje um pacotão que eu esperava fazia tempo! Esse vai exigir mais respeito pela minha coleção! Aguardem fotos do conteúdo!



Escrito por Professor Guilherme Lentz às 13h43
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